Aerie Aviação Executiva - Compra, Venda e Importação de Aeronaves Executivas: Turbohélices, Jatos e Helicópteros. Aeroporto de Jundiai, SP – Melhores aviões e helicópteros do Mercado Brasileiro ]

PRETENDE COMPRAR UMA AERONAVE ?

Preparamos um roteiro com o passo a passo para adquirir, ou fretar, um avião ou um helicóptero, novo ou usado

POR | CÁSSIO POLLI, ESPECIAL PARA AERO MAGAZINE


Após um período de turbulência, o mercado de compra e venda de aeronaves de negócios tem mostrado sinais de recuperação. Empresas e empresários que passaram por momentos difíceis de ajustes e contenções, associados a uma "crise de decisão", estão voltando com consultas, intenções e até algumas efetivações de compra. A atmosfera adversa dos últimos dois anos, que se refletiu não só na queda da importação de aeronaves de negócio para o mercado brasileiro (novas e usadas), como, também, na redução da frota doméstica, com a saída de 351 aviões e helicópteros (deixaram de estar registrados no RAB/ANAC em 2016), entre comerciais e privados, parece estar se dissipando. Nada mais natural, portanto, sobretudo diante da chegada de um novo ano, que a aquisição ou o fretamento de uma aeronave privativa esteja no horizonte de muita gente. Em ambos os casos, porém, é preciso cautela ao escolher os caminhos por meio dos quais pretende trafegar até assinar um contrato.

FRETAR, COMPARTILHAR OU COMPRAR?

A baixa oferta de voos e localidades atendidas, restrição de horários, filas, atrasos e cancelamentos nos voos comerciais causam prejuízos para a economia brasileira e seus agentes. Em números aproximados, há 5.570 municípios no Brasil e 2.465 aeródromos homologados, registrados na ANAC, sendo 589 públicos e 1.878 privados. O problema é que apenas pouco mais de uma centena deles ? 116 ? são servidos por linhas aéreas regulares, que, na prática, atendem predominantemente a grandes centros. Tal realidade ilustra, de um lado, a carência de transporte aéreo no Brasil e a necessidade de ampliação da malha aérea e, de outro, o gigantesco e crescente mercado que a aviação privada pode explorar. Neste cenário, uma dúvida costuma afligir indivíduos e empresas que pretendem entrar no mundo da aviação de negócios. Por onde começar: compartilho, freto ou compro uma aeronave?

Para o usuário com baixa demanda de voos, entre 50-70 horas por ano, ou para usuários mais frequentes que não queiram ser proprietários de um ativo, compartilhar e fretar aeronaves são as alternativas mais indicadas, ainda que ambas as modalidades tenham prós e contras. Embora algumas empresas ofereçam propriedade compartilhada ou "pre-paidjetcard", esse modelo de negócio ainda não decolou para "asa fixa" (aviões) no Brasil, devido à quase inexistência de frotas expressivas com várias aeronaves do mesmo modelo, a exemplo de grupos internacionais como WheelsUp, Flexjets, Xojets e NetJets, que recebeu investimentos de Warren Buffet.

No caso do fretamento, cabe observar alguns aspectos importantes. É o caso de avaliar a viabilidade do custo por km, que pode chegar a duas vezes e meia o valor real da hora voada de um operador privado. As despesas adicionais com diárias e pernoites fora de base também precisam entrar no cálculo, assim como os custos de reposicionamento da aeronave. É preciso, ainda, considerar fatores como o uso de diferentes aeronaves e tripulações, as condições operacionais na categoria "TPX" (Táxi-Aéreo), a possibilidade de restrição do alcance e pistas que atendam aos requisitos da categoria, a regulamentação de tripulação, entre outros.

Para usuários que se encaixam no perfil de demandas pontuais, uma análise detalhada das características dos serviços envolvidos no compartilhamento e no fretamento é indispensável para auxiliar na tomada de decisão entre as modalidades.

MOTIVAÇÕES DE COMPRA

O processo de compra de uma aeronave de negócios tem características e apelos distintos, que envolvem uma minuciosa e elaborada análise, dado que os valores de aquisição de um ativo desse tipo são expressivos. Entretanto, quando bem planejada e administrada, essa aquisição se apresenta como uma extraordinária ferramenta para economia de tempo e ampliação de negócios, podendo ser amparada a partir de quatro fatores principais. São eles:

1 Status de pertencer a um seleto grupo de empresas ou pessoas reconhecidamente bem-sucedidas, que acessam os benefícios exclusivos só proporcionados pela aviação de negócios.

2 Tempo, apontado por especialistas como o "ativo" mais importante depois da saúde, e uma variável indispensável no mundo dos negócios, bem como na vida pessoal.

3 F lexibilidade para decidir para onde e quando deseja ir, contando com mais de 2.400 pistas à sua escolha só no Brasil, o que proporciona agilidade e autonomia para gestão da agenda de compromissos pessoais ou profissionais.

4 Segurança, conforto e privacidade, aqui destacados em dois aspectos: sob ótica pessoal, pois na aviação de negócios a exposição pessoal é mínima, os acessos são reservados e os aeroportos são de menor movimento, somado ao sigilo dos destinos, propósitos e confidencialidade das missões, e a segurança sob a ótica do transporte, uma vez que é estatisticamente comprovado que é muito mais seguro voar de avião, do que se deslocar de carro por estradas muitas vezes inexistentes, em certas regiões, precárias ou em mal estado de conservação.

SUA PRÓPRIA AERONAVE

Para embarcar em sua própria aeronave, é preciso considerar, primeiramente, as diferentes finalidades e motivações envolvidas no processo decisório. A aquisição de um turbo-hélice de US$ 5 milhões atende a propósitos muito distantes de um jato "supermid-size" de US$ 50 milhões, que voa São Paulo-Moscou sem escalas ? mas não pousa na pista não preparada de uma fazenda. Considerando que, com raras exceções, as aeronaves privativas não atendem a todas as missões desejadas por seus proprietários, a recomendação é partir para modelos que atendam de 70% a 80% das missões regulares, contemplando uma escala técnica de voo, se necessário, ou assumindo um custo operacional mais alto em trechos curtos. Para tanto, o proponente comprador pode considerar um roteiro com 10 itens antes de tomar sua decisão, conforme elencamos a seguir:

1 PERFIL DO USUÁRIO

A aeronave atenderá somente à presidência e ao conselho de administração ou a permissão de uso será estendida aos diretores ou, ainda, a gerentes, engenheiros, equipes de vendas?

2 DESTINOS E FREQUÊNCIA

O mapeamento das localidades a serem mais visitadas por região e a quantidade de voos por mês contribuirá para uma estimativa da quantidade de horas voadas por mês. Para fins de referência, uma boa média de uso privado para aeronaves de negócio no Brasil é de 20 a 30 horas por mês.

3 TIPO DE OPERAÇÃO

Definir se a totalidade dos voos será a negócio e se haverá disponibilidade para lazer, com critérios de utilização para sócios, acionistas ou família. Aqui também se aplica a definição de uso para campo/fazenda, praia ou grandes centros.

4 QUANTIDADE DE PASSAGEIROS A TRANSPORTAR

Essa informação é muito importante na tomada de decisão de compra, pois a quantidade de passageiros tem relação direta com alcance, quantidade e consumo de combustível, comprimento de pista e assim por diante. Além disso, devido à predominância dos ventos no Brasil, em uma etapa de São Paulo para Fortaleza (vento de cauda) a aeronave costuma ter mais autonomia do que de Fortaleza para São Paulo, por conta da maior incidência de ventos de proa, com o mesmo número de passageiros. Dependendo do modelo do avião, o vento pode obrigar o piloto a fazer uma escala técnica para abastecimento.

5 DISTÂNCIAS

Esse é um item que demanda especial atenção, pois o alcance é calculado considerando o peso vazio da aeronave, somado ao peso do combustível, dos passageiros e da bagagem, o que resulta no peso máximo de decolagem. O resultado total não só define a categoria da aeronave, como atribui a segurança de voo para o qual foi projetada. Nesse contexto, recomenda-se cautela na análise teórica das publicações dos fabricantes, pois os dados são obtidos ou baseados em ambientes controlados, com temperatura e pressão padrão, ao nível do mar, com zero vento. Vale aqui, também, como dito acima, considerar a predominância dos ventos nas missões de ida e volta.

6 TIPO DE PISTA

Talvez seja uma informação conhecida, como comprimento, largura, tipo de piso ? terra, cascalho, grama, asfalto, concreto ?, mas quando somado a outros itens já mencionados, pode ser o protagonista do processo decisório de compra, uma vez que tem a capacidade de mudar a categoria da aquisição, como de um jato para um turbo-hélice.

7 CUSTO OPERACIONAL

Pode ser calculado por hora, por quilômetro ou por assento, levando-se em conta os custos fixos (hangaragem, seguro, salário dos pilotos) e os custos variáveis (combustível, provisão de manutenção/programas, taxas de pouso). O local onde a aeronave ficará baseada influencia fortemente nessa análise, com diferenças substanciais em cada região do país. Já o preço de gasolina de aviação (Avgas), usada nas aeronaves a pistão, são bem maiores por litro do que o do querosene de aviação (Jet A1), usado nos turbo-hélices e motores a reação, jatos. O consumo específico da aeronave influencia na composição do custo operacional, tem relação com a capacidade de passageiros, peso de decolagem e, principalmente, a velocidade, pois mesmo que um custo por hora possa ser equivalente entre dois modelos, o custo por quilômetro pode variar bastante em função da velocidade.

8 SUPORTE LOCAL

É mandatório ao futuro comprador dedicar especial atenção a esse quesito, que pode causar muitos aborrecimentos e indisponibilidade da aeronave. Recomenda-se consultar atuais proprietários, operadores, pilotos, mecânicos do modelo pretendido, a fim de entender "os gargalos" de determinada família, categoria ou que o fabricante apresenta no pós--venda. Itens como apoio ao cliente, facilidade de encontrar peças de reposição, cobertura de garantias, atendimentos de urgência ("AOG ? AircraftonGround"), quantidade, distância e capacidade das oficinas de manutenção homologadas para o modelo são exemplos a serem considerados.

9 FAIXA DE INVESTIMENTO

Assumindo que o comprador, indivíduo ou empresa, tenha capacidade de adquirir e manter uma aeronave privativa, a dúvida passa a ser o quanto ele está disposto a investir na aquisição de um ativo. Um ponto de observação neste item é que ao definir o valor para o investimento, ocorre uma intersecção entre modelos e categorias na mesma faixa de preço. É possível comprar, por exemplo, com US$ 8 milhões, um CitationSovereign ou XLS+ usados, um Phenom 300 ou Learjet 75 seminovos, um Cessna CJ3+ ou King Air 350i novos. Lembrando que quanto maior o valor imobilizado, maior o valor proporcional de retorno na revenda. Recomenda-se, ainda, uma análise para a depreciação do modelo pretendido e a liquidez de revenda, se souber o tempo que pretende ficar com a aeronave.

10 OUTROS FATORES DE INFLUÊNCIA

Destacam-se mais alguns aspectos que podem influenciar a direção das pesquisas, excluindo ou adicionando opções à análise comparativa, como dimensões e configuração de cabine de passageiros, tamanho da galley (armário) e toalete homologado para pousos e decolagens. Certificação duplo comando ou "single pilot", habilitação especifica (TIPO), se requer treinamento da tripulação em simulador no exterior (operação privada), mensuração de viabilidade e valor dos programas de peças e motores, pagos por hora, dados de performance e velocidade, atualizações regulatórias, liquidez de revenda, entre outros itens.

A relação apresentada figura apenas como um guia, podendo ser alterada de acordo com a finalidade ou ordenada em uma escala de prioridades, personalizada para cada projeto. O resultado esperado é que, ao final dessa análise, o futuro comprador tenha uma visão mais precisa dos cenários macro, detalhes e particularidades de um processo de aquisição, a fim de realizar o melhor investimento possível, acertando de primeira na escolha.

NOVO OU USADO?

Muitas vezes, a definição de adquirir uma aeronave nova ou usada não está relacionada ao poder de compra em si, mas tem relação direta com perfil do indivíduo ou da empresa. Certos compradores só adquirem produtos novos, por vários aspectos, incluindo ser o primeiro proprietário, configurar os padrões e tons de interior, escolher os equipamentos e opcionais, o layout e cores da pintura e receber as garantias da fábrica. Tomando como referência o mercado de aviação privada, o percentual de aquisições de novos é inferior a 5% do volume de negócios, mas os valores envolvidos são maiores e, quando ocorre um processo de troca, o avião usado que entra num "trade in" com o fabricante ou é revendido por "brokers", movimenta toda cadeia de negócios do setor de usados, em um efeito cascata do "topo da pirâmide" de um jato de negócios de grande porte até um monomotor a pistão.

No caso de compradores de seminovos ou usados, a decisão de compra está muitas vezes baseada no eventual benefício financeiro de adquirir um bem depreciado. Vale ressaltar que a compra de um "usado" demanda atenção especial no sentido de avaliar as condições gerais da aeronave. Aqui é altamente recomendada a contratação deinspeção de pré-compra, a ser realizada preferencialmente por oficina homologada para o modelo. Em linhas rápidas, o propósito de uma inspeção de pré-compra é aferir o estado de conservação física, documental e operacional da aeronave, confrontando-o com os parâmetros do manual de manutenção, revisões e vida limite de componentes controlados por hora de voo, ciclos ou tempo/ calendário, evidenciados pelo plano de manutenção e controle de componentes, principalmente com os itens que possam interferir na condição de aeronavegabilidade da aeronave. A inspeção de pré-compra é uma medida que visa proteger ambas as partes de surpresas desagradáveis e custos inesperados no processo de aquisição do bem.

Encontrar uma aeronave usada no mercado, tanto doméstico como internacional, é relativamente fácil, principalmente com a internet, que possibilita, em poucos minutos, acesso a várias opções disponíveis. Entretanto, é imprescindível que se tenha uma atenção meticulosa nesse processo, pois tanto no Brasil como no exterior aquele negócio que parece uma oportunidade pode esconder surpresas desagradáveis, que resultam em grandes dores de cabeça, atrasos e custos adicionais de dezenas ou até centenas de milhares de dólares.

Tome como exemplo um jato de negócios que ficou alguns meses parado, sem voos anotados nos diários de bordo ou cadernetas. Ele pode estar omitindo um histórico de dano. Se nesse período sem atividade não houve registro periódico de acionamento ou adoção de critérios de preservação dos motores, o novo dono pode ser obrigado a fazer desde um "light overhaul" até uma revisão geral dos motores.

AERONAVE NO EXTERIOR

Outra medida muito importante, especialmente para aeronaves no exterior, é a verificação de componentes controlados, grandes modificações e equipamentos opcionais no que diz respeito à conformação de STC?s (Certificados Suplementares de Tipo) e à aprovação dessas alterações pela Anac, pois, se não estiverem homologadas no Brasil, certamente a aeronave será reprovada na Vistoria Técnica Inicial (VTI). Esse cenário acarreta custos adicionais, burocracia, apresentação de projetos, além de muito tempo para liberação da aeronave, podendo, não raro, resultar na devolução do bem. Em outras palavras, muita cautela.

CONCLUSÃO

Os benefícios da aviação de negócios estão mais que comprovados, inclusive por estudos comparativos de resultados de companhias que usam a aviação de negócios com suas concorrentes que não usam aeronaves privativas nos Estados Unidos. Ainda assim, dicas como as elencadas neste artigo podem ajudá-lo a tomar a decisão adequada em sua primeira compra ou servir como checklist na troca de sua aeronave.

* Avaliador certificado pela ASA (American SocietyofAppraisers) e pela USPAP (Uniform Standards of Professional AppraisalPractice) Cássio Polli dirige a Aérie Aviação Executiva, com experiência de 15 anos em compra, venda, importação e exportação de aeronaves de negócios

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